Indústria Musical

O que faz realmente um produtor musical?

Sep 11, 20265 min de leitura

Afinal, o que faz um produtor musical o dia todo? Metade arranjador, metade árbitro, metade terapeuta. Eis o que o trabalho envolve mesmo, e quanto custa contratar um.

Pergunte a dez produtores o que fazem e vai receber dez respostas, quase todas a começar por «depende».

Não é falta de vontade de explicar. O trabalho muda mesmo de forma de disco para disco. Num álbum, o produtor escreve metade dos acordes e toca a parte de teclado. No seguinte, sobretudo mantém a banda a falar entre si e garante que alguém carregou mesmo no botão de gravar. Então, o que faz um produtor musical, em termos simples? Esta é a versão que ninguém põe num cartão de visita.

A versão em uma frase

Um produtor é a pessoa responsável pela forma como o disco acabado sai. Não é o engenheiro que capta o som, nem o músico que o toca. É quem decide o que a canção precisa, e quem carrega com a culpa se a decisão estiver errada.

Os realizadores de cinema recebem mais ou menos a mesma missão, e a comparação funciona. Alguém tem de manter o todo na cabeça enquanto os outros estão enterrados na sua própria parte.

O que faz um produtor musical numa sessão a sério

Tirando a mitologia, um dia de sessão é assim.

  • Decide o que se grava e por que ordem, porque as horas de estúdio custam dinheiro e moral.
  • Toma as decisões de arranjo: cortar o segundo refrão, tirar oito compassos de introdução, experimentar meio tom abaixo.
  • Escolhe as tomas. A parte mais subvalorizada do trabalho, e aquilo que as bandas julgam pior sobre si próprias.
  • Gere a sala. Diz ao vocalista que aquela foi a boa quando foi, e encontra um caminho mais gentil até à verdade quando não foi.
  • Mantém o calendário honesto, para que as duas últimas canções não sejam gravadas em pânico na última tarde.

Parte disso é ofício. Uma parte surpreendente é lidar com pessoas. Uma banda são quatro a seis pessoas com sentimentos e um prazo, e alguém tem de ser o adulto com o cronómetro na mão.

Os tipos de produtor que vai encontrar

Categorias aproximadas, e a maioria dos produtores no ativo circula entre elas.

  • O autor. Traz um som. Contrata-o porque quer o disco dele tanto como o seu. Conte com opiniões fortes e uma fatura forte.
  • O colaborador. Escreve consigo na sala e leva as canções mais longe do que a banda sozinha. A forma mais comum no rock e no indie.
  • O engenheiro produtor. Trata da mesa e produz ao mesmo tempo. Mais barato, mais rápido e muito comum no nível em que a maioria das bandas começa mesmo.
  • O produtor de bases. No hip hop e na música eletrónica, produtor significa normalmente a pessoa que fez o tema. Trabalho diferente, mesma palavra.

O termo faz demasiado trabalho na língua, e é exatamente por isso que a pergunta continua a aparecer.

O que um produtor muda mesmo

Três coisas, por esta ordem de importância: a canção, a interpretação, o som.

Primeiro a canção. Um produtor que puxa o seu refrão quarenta segundos para a frente fez mais pelo disco do que qualquer escolha de microfone. Esse tipo de cirurgia de arranjo acumula, algo que exploramos em como as canções se tornam êxitos.

Depois a interpretação. Os bons produtores tiram das pessoas tomas melhores do que essas pessoas conseguem tirar de si próprias, normalmente gerindo a pressão em vez de a aumentar.

Por fim o som. Conta, mas é a última coisa com que entrar em pânico. Uma gravação lindíssima de um arranjo aborrecido continua aborrecida.

Quanto custam os produtores

Intervalos, não promessas, porque isto varia muito com o mercado e o género. Na entrada, um produtor e engenheiro local costuma cobrar algo próximo do preço normal de um dia de estúdio. No meio, conte com um valor por canção mais uma pequena percentagem dos direitos, normalmente alguns pontos. No topo, um nome conhecido pede um adiantamento que a maioria das bandas independentes não conseguiria reunir, mais pontos na casa baixa de um dígito.

A prazo, os pontos pesam mais do que o valor fixo. Um produtor com pontos é o seu sócio naquela gravação enquanto ela render alguma coisa. Leia esse contrato devagar.

Se ainda está a perceber se precisa mesmo de produção completa, comece pela diferença entre uma maqueta e uma sessão de álbum.

A mesma decisão, sem as faturas

Metemos isto no Road to Headliner porque é uma das escolhas mais interessantes que uma banda faz. Uma canção passa da escrita para a maqueta, depois o polimento, depois uma sessão de estúdio a sério, e cada etapa alimenta a qualidade que o tema acabado leva para as tabelas. Empurre uma canção fraca para uma sessão cara e fica com uma canção fraca que lhe custou mais. A secção do guia sobre o percurso musical explica para que serve cada etapa.

É uma versão comprimida da lição verdadeira: produza a canção antes de produzir a gravação.

Então, deve contratar um?

Se a sua banda grava sempre coisas que soam mais pequenas do que parecem ao vivo, sim. Se ninguém consegue concordar sobre qual é a melhor toma, sim sem dúvida. Um produtor não é um luxo, é a pessoa que o impede de passar três meses a polir a versão errada de uma boa ideia.

Quer testar essa intuição antes de reservar um estúdio a sério? Crie uma banda no Road to Headliner, escreva alguma coisa e passe-a você mesmo por todas as etapas. É grátis, corre no browser, e a primeira sessão só lhe custa umas horas dentro do jogo.

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